Como usar a série “As Telefonistas” na Redação do ENEM

Na década de 1930, época em que se passa a série, haviam conflitos que reverberam até hoje na sociedade, mesmo após quase um século da época retratada. Os casamentos abusivos, aborto e a cultura de que as mulheres deveriam ser do “lar” eram premissas da época, porém, muitas mulheres ainda vivem sob essa concepção mesmo no século XXI.
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A série conta a vida de quatro mulheres: Alba/Lidia, vive um conflito interno em busca de sua liberdade e por vezes deixa de tomar decisões que a fariam feliz, para seguir seu ideal. Ángeles é casada e após descobrir uma traição do marido, tenta se divorciar. Porém, o homem não aceita e o relacionamento torna-se abusivo, com agressões que chegam à causar um aborto posteriormente. Carlota, uma filha que deseja sua independência, apesar de viver sob o controle do pai militar, que repudia seu trabalho, a vida noturna e os romances fora do casamento. Marga, uma garota interiorana, que começa a despertar para o autoconhecimento e a buscar as coisas que quer, ainda que muito tímida.
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Existem vários temas na série que podem ser abordados na Redação do ENEM, entre eles: O papel da mulher no Mercado de Trabalho, Aborto e Empoderamento Feminino, além, é claro, de um tema que pode aparecer em outros Vestibulares e que já caiu no ENEM: Violência contra a mulher.

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EMPODERAMENTO FEMININO
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Carlota e Sara – uma personagem que descobre sua identidade ao longo da série – são responsáveis por colocar em pauta o feminismo e o empoderamento na série. Carlota, filha de um militar se vê lutando contra a família para buscar sua independência através do trabalho, mesmo a contragosto do pai durão, que deseja que ela permaneça em casa até encontrar um bom marido.
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A partir do momento que consegue sair de casa, ela conhece Sara, que já possui mais experiência e, às escondidas, tenta brigar por mais espaço da mulher na sociedade. Juntas, elas colocam em discussão o início do movimento sufragista na Europa, mostrando os ideais das mulheres da época e também colocando em cena temas como homossexualidade e o amor livre.

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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
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Na série, Ángeles é casado com Mario e deu à luz a sua filha, Sofia. Mario pede que Ángeles saia do seu emprego para dedicar-se totalmente a vida de mãe, porém, Mario solicita isso para Ángeles porque ele está tendo um caso com uma mulher da empresa.
Mario é um marido controlador e aos poucos a situação vai se agravando chegando ao abuso físico e consequentemente um aborto espontâneo. Essa situação pode ser introduzida em uma Introdução com esse tema, trazendo da ficção à realidade.

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DETALHES
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Nome: As Telefonistas (Las chicas del cable)
Duração: 50 min
Ano: 2017
Gênero: Drama
Elenco: Blanca Suárez, Yon González
Temporadas: 3
Onde assistir? Netflix (próx. temporada em 9 de AGO)

EXEMPLO DE REDAÇÃO

A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos nas últimas décadas. De acordo com o mapa da violência de 2012, o número de mortes por essa causa aumentou em 230% no período de 1980 a 2010. Além da física , o Balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses a psicológica. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas.

O Brasil ainda não conseguiu se desprender das amarras da sociedade patriarcal . Isso se dá porque , ainda no século XXI, existe uma espécie de determinismo biológico em relação às mulheres. Contrariando a célebre frase de Simone de Beauvoir “Não se nasce mulher, torna-se mulher ”, a cultura brasileira , em grande parte , prega que o sexo feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu convívio social , capaz de construir um ser como mulher livre. Dessa forma , os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, por estarem dentro da construção social advinda da ditadura do patriarcado. Consequentemente , a punição para esse tipo de agressão é dificultada pelos traços culturais existentes, e , assim, a liberdade para o ato é aumentada. Além disso, há o estigma do machismo na sociedade brasileira. Isso ocorre porque a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no cotidiano dos brasileiros.

Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos e a serem recatadas. Dessa maneira , constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte , o número de casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive os de reincidência.

Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível , é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe , assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil .

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