Como usar o filme “Extraordinário” na Redação do ENEM

No filme, o garotinho Auggie Pullman vive o medo e desconforto de entrar para a escola após anos de aprendizagem em sua própria casa, tendo a mãe como professora. A criança, que nasceu com uma deformidade facial e já passou por diversas cirurgias, agora aos 10 anos, sem o conforto dos pais e da irmã, terá que lidar com uma sociedade marcada pelo comum: preconceito, segregação, competições.
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O filme é muito bom e nos prende de uma forma emocionante. Eu, particularmente, gostei muito. Aliás, consegui identificar dois temas chaves para a Redação do ENEM: Inclusão Social e o famoso Bullying.

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BULLYING
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Por trás do enredo do filme, uma competente discussão sobre o bullying e os lamentáveis personagens dessa história real de opressão, que se repete no cotidiano em nossas ruas, famílias, escolas e em todo universo onde existam pessoas. Valentões (no inglês chamados de bullies) ou mesmo as vítimas, todos estão lardeados por uma plateia que pode ser insensível à dor do outro, justificando a violência ou sensível, tomando atitudes coerentes para que o preconceito, a ignorância e o conformismo não tomem conta da sociedade.
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A violência, o preconceito e a intolerância contra o outro e a outra sempre existiu. Porém, o combate ao bullying se tornou comum no Brasil não faz muito tempo. Desde então, foram criadas leis em vários níveis. No âmbito municipal, inclusive há legislação aprovada, de minha autoria com intuito de combater o bullying e a violência escolar. Trata-se da lei 10.213, sancionada em 2011, que proíbe o bullying e o trote violento.
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Embora a legislação seja importante, mais significativo ainda é que a sociedade se mobilize contra esse tipo de violência e desrespeito. Afinal, de nada adiantam as normas se não se compreende sua importância no combate a uma opressão específica.

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INCLUSÃO SOCIAL
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O filme leva, com grandeza, a mensagem de inclusão, amizade e amor ao próximo, por meio de uma linguagem sensível e cuidadosa. A adaptação foi difícil, pois além dos colegas de classe e escola não saberem lidar com a situação, o próprio Auggie tinha traumas e se excluía. Aos poucos alguns colegas começaram a se aproximar, e diversas situações começam ajudar para um amadurecimento.
Sua irmã Olivia também é peça importante em sua vida, que ajuda em alguns momentos difíceis, e acaba tendo uma pequena história de rejeição como seu irmão. 
O que levaria a exclusão social de Auggie seria sua deficiência e em alguns momentos até parece que ele realmente quer desistir (bullying) no entanto, o filme mostra como é possível aceitar a realidade como ela é, sendo que, Auggie detém as oportunidades iguais de acesso a bens e serviços como todos.

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DETALHES
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Nome: Extraordinário (Wonder)
Duração: 1h 51min
Ano: 2017
Gênero: Drama Familiar
Elenco: Julia Roberts, Jacob Tremblay, Owen Wilson
Direção: Stephen Chbosky
Onde assistir: Amazon Prime Video, Popcorn

EXEMPLO DE REDAÇÃO

Nas antigas fitas VHS, a divulgação dos novos filmes disponíveis para aparelhos de DVD tornava a criança uma consumidora compulsória , capaz de qualquer coisa por aquele novo meio de assistir filmes. Na atualidade , isso se repete quando os discos da Disney mostram-se disponíveis em Blu-Ray. Entretanto, até onde essa publicidade infantil influencia no desenvolvimento da criança? Tal influência seria benéfica? Para o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), não. Essa postura representa um importante passo para o Brasil . De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, é na infância que os indivíduos passam pelo processo de socialização, ou seja , adquirem os valores morais e éticos da sociedade em que se encontram. Se , nesse período, a criança for bombardeada por uma série de propagandas ideológicas, ela pensará que a felicidade só pode ser alcançada ao lanchar em determinado restaurante , ao adquirir determinado brinquedo ou ao vestir determinadas roupas.

Há , portanto, a necessidade de banir quaisquer tipos de publicidade que utilizem a ingenuidade infantil para a obtenção de um maior mercado consumidor. Ademais, esse banimento não deve ser feito apenas com acordos entre o setor publicitário e o governo. É necessária uma legislação que assegure um desenvolvimento livre de manipulações para as crianças. Além de coibir tais propagandas deve-se punir aqueles que as utilizarem. Para isso, é preciso reformular o Código Penal brasileiro, vigente desde 1941 – contexto de um país ruralizado, com relações jurídicas menos complexas que as atuais – e insuficiente para punir tais infratores. Não é , no entanto, responsabilidade única do Estado a atual situação da publicidade infantil brasileira.

Como afirmou Sérgio Buarque , em sua obra “Raízes do Brasil”, os brasileiros estão acostumados a tratarem o Estado como um pai , deixando todas as questões político-sociais em suas mãos. Com a finalidade de proteger suas crianças, cabe aos pais abandonar essa característica patrimonialista e exigir mudanças, sem depender de governo ou de agências publicitárias. Percebe-se , destarte , que a publicidade infantil , para ser regulamentada e controlada , necessita de uma ação conjunta entre o Estado, o setor publicitário e os cidadãos. No nível jurídico, estabelecer normas para as agências publicitárias (não utilizar personalidades infantis ou associar felicidade a consumo) é uma medida extremamente eficaz. Corrobora tal ação a fiscalização das propagandas por parte da sociedade , a partir de reclamações publicadas em fóruns virtuais. Desse modo, assegura-se o desenvolvimento das crianças brasileiras livre de instrumentos de alienação.

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