Como usar o filme “CAM” na Redação do ENEM

A história é baseada em uma situação real onde a personagem Alice evidencia a perda da identidade humana para a do mundo virtual. Em semana de novidades com a ocultação dos “likes” pelo Instagram, resolvi trazer esse filme interessante e com uma pegada Black Mirror para analisarmos temas específicos como: Aceitação da personagem, confronto de identidade, felicidade nas redes sociais, relação familiar, hackers e a passividade digital perante a vida real.
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Estamos longe de entendermos as consequências desse conflito contemporâneo de realidades. Imersos em máscaras e efeitos, mostramos versões “melhores” de nós mesmos nas quase infinitas redes sociais, pois queremos ser notados, queremos aceitação, queremos visualização e é nesse ponto que se desenha o grande dilema discutido pelo filme. Até que ponto é saudável e ético anular quem realmente somos por aprovação virtual?

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RELAÇÃO FAMILIAR
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Único tema onde o desenrolar do filme expõe uma consequência da vida privada de Alice: o descobrimento por parte da sua mãe. Em uma cena, no aniversário de seu irmão, Alice, tenta separar uma briga de seu irmão e u, amigo dele, onde, acidentalmente, o celular. No chão, o celular mostrava a cena de uma aparição de Alice no site pornográfico. Sua mãe reprova sua atitude e os laços se cortam temporariamente ali. No entanto, tempos depois, sua mãe reconhecesse o “talento” de sua filha para o negócio pornográfico, porém, não é mais Lola/Alice que aparece nos vídeos. Nesse momento, é onde começa o confronto de identidade para Alice, já que quando o canal foi hackeado, ela não se reconheceu fazendo tais atos e sentiu nojo do seu próprio eu.

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REAL vs VIRTUAL
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Com o medo existencial, Alice, cria uma dificuldade ao se aceitar. Esse confronto acontece quando ela começa a ver cenas de alguém que está roubando seu pseudônimo Lola. Alguns temas da Redação abordaram temas semelhantes como em 2011 e ano passado. Assim como no filme e em episódios da série Black Mirror, vivemos numa era onde há, diretamente ou indiretamente, um sistema de pontuação e avaliação que valida a forma como nos vestimos, nos controlamos e vivemos. O filme retrata muito esses assuntos, mesmo deixando algumas lacunas. Aliás, uma cena que poderia ser usada em um Desenvolvimento ou na Introdução é a cena final do filme, onde Alice se coloca frente a frente com seu pseudônimo e por algumas vezes, bate o nariz contra um espelho, reflexo claro de que sua sanidade mental estava abalada.

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HACKERS/VÍRUS
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O filme não deixa muito claro, porém, o que acontece é que um sistema muito complexo cruza todas as informações que consegue achar de você na Internet e cria uma realidade com seu rosto, casa, etc. Isso já existe para criar vídeos falsos com celebridade, porém no caso do filme foi uma tecnologia ainda mais avançada. Provavelmente o próprio site do filme cria esse sistema pra que fique com todo o dinheiro que os usuários mandam às meninas.

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DETALHES
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Nome: CAM
Duração: 01h :34 min
Ano: 2018
Gênero: Suspese Ideológico
Elenco: Madeline Brewer
Onde assistir: Netflix
Classificação: 16 anos

EXEMPLO DE REDAÇÃO

A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro – assegura a todos a liberdade de crença. Entretanto, os frequentes casos de intolerância religiosa mostram que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os caminhos para combater a intolerância religiosa é medida que se impõe.

Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja uma reprodução da casa colonial , como disserta Gilberto Freyre em “Casa-grande e Senzala”. O autor ensina que a realidade do Brasil até o século XIX estava compactada no interior da casa-grande , cuja religião oficial era católica , e as demais crenças – sobretudo africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os negros lhes deram aparência cristã , conhecida hoje por sincretismo religioso. No entanto, não é razoável que ainda haja uma religião que subjugue as outras, o que deve , pois, ser repudiado em um Estado laico, a fim de que se combata a intolerância de crença.

De outra parte , o sociólogo Zygmunt Bauman defende , na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pósmodernidade , e , consequentemente , parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Esse problema assume contornos específicos no Brasil , onde , apesar do multiculturalismo, há quem exija do outro a mesma postura religiosa e seja intolerante àqueles que dela divergem. Nesse sentido, um caminho possível para combater a rejeição à diversidade de crença é desconstruir o principal problema da pós-modernidade , segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Urge , portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a intolerância religiosa. Cabe aos cidadãos repudiar a inferiorização das crenças e dos costumes presentes no território brasileiro, por meio de debates nas mídias sociais capazes de desconstruir a prevalência de uma religião sobre as demais. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover as ações judiciais pertinentes contra atitudes individualistas ofensivas à diversidade de crença. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará o país a verdadeira posição de Estado Democrático de Direito.

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